19 junho 2017

RESTAURANDO A PORTA VELHA

Porta Velha,


A Porta Velha é a terceira porta que foi restaurada nos muros de Jerusalém. Assim diz em Neemias capítulo 3, nos versos 6 a 11: "E a porta velha repararam-na Joiada, filho de Paséia, e Mesulão, filho de Besodias; estes a emadeiraram, e levantaram as suas portas com as suas fechaduras e os seus ferrolhos. E ao seu lado repararam Melatias, o gibeonita, e Jadom, meronotita, homens de Gibeom e Mizpá, que pertenciam ao domínio do governador dalém do rio. Ao seu lado reparou Uziel, filho de Haraías, um dos ourives; e ao seu lado reparou Hananias, filho de um dos boticários; e fortificaram a Jerusalém até ao muro largo. E ao seu lado reparou Refaías, filho de Hur, líder da metade de Jerusalém. E ao seu lado reparou Jedaías, filho de Harumafe, e defronte de sua casa e ao seu lado reparou Hatus, filho de Hasabnéias. A outra porção reparou Malquias, filho de Harim, e Hasube, filho de Paate-Moabe; como também a torre dos fornos. E ao seu lado reparou Salum, filho de Haloés, líder da outra meia parte de Jerusalém, ele e suas filhas".

A restauração da porta velha se refere à restauração do testemunho da Pessoa de Cristo em todo ensino da Palavra de Deus, daquilo que era desde o princípio. Porta velha não porque se tornou velha ou obsoleta, mas porque Deus não quer nenhuma novidade que esteja fora de Cristo; nada que seja moderno, e que exclua o Filho do Deus Vivo. João em sua primeira carta resgata todo o ensino acerca desta porta quando a igreja se encontrava em queda, quando disse: "Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai" I João 2.24.

João também nesta mesma carta fala que alguém se torna maduro espiritualmente, ou um pai, quando conhece aquele que é desde o princípio (I Jo. 2.14). Toda restauração nos faz retornar ao princípio, porque o princípio é a revelação mais pura, quando ainda não foi contaminada. Como já falamos anteriormente, a restauração de Deus é do seu testemunho, e este testemunho é acerca do Seu Filho. Na sua restauração Deus faz retornar tudo ao princípio, tudo para Cristo, para o seu projeto inicial e único, por isto esta porta é chamada de velha.

Como podemos notar pelos nomes que restauraram essa porta, quase todos são homens de renome. Como nos ensina o texto, eles eram ourives, boticários, e líderes da cidade; e também cita Salum ajudado pelas suas filhas. O Espírito Santo nunca deixa que o trabalho no Senhor seja esquecido, por isso lembra aqui o trabalho das filhas de Salum, ainda que não fosse trabalho para mulheres. Salum quer dizer 'retribuição'. Pelo visto esta família prestou este serviço ao Senhor em retribuição à misericórdia manifestada sobre a sua casa. Não por obrigação, mas por amor ao Senhor.

Apesar da obra de restauração estar relacionado com o ministério dos homens, as mulheres tem um papel muito precioso na Igreja. Paulo em todas as cartas sempre deu testemunho das irmãs que serviram a Igreja e que trabalharam no Senhor (Rom. 16.1, 12). O Senhor Jesus também disse de uma mulher em Betânia, que em João capítulo 12, no verso 3, diz que foi Maria, a qual o ungiu com um balsamo de nardo puro de grande valor, que por onde quer que este evangelho fosse pregado em todo o mundo, também seria referido o que ela fez, para memória sua (Mat. 26.13).  

Esta porta nos ensina que a partir da regeneração e do 'ide' de Jesus, de levar o evangelho a toda criatura, a Igreja deve retornar ao princípio do ensino da Palavra. Ela deve retornar para a Palavra de Deus, isto é, para o Cristo da Palavra de Deus. Tudo o que não é Cristo é considerado pelo Espírito como um modismo, uma novidade que não traz Vida. O ensino passa a ser uma novidade, mas esta novidade é tirada do velho tesouro como disse Jesus: "Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas" Mateus 13.52.

O Senhor sempre que exorta o seu povo, faz retorná-los ao princípio. A porta velha resgata aquilo que Deus estabeleceu como princípio e que não pode ser removido: "Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas" Jeremias 6.16. Cristo é o caminho, como também o princípio e o fim, o Alfa e o Ômega de tudo: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro" Apocalipse 22.13.

Depois que a igreja caiu num tempo escuro, o Senhor, cerca de 1450 anos depois de Cristo, através de Martinho Lutero, fez o povo retornar para a Sua Palavra, revelando pelo seu Espírito a justificação pela fé. Cerca de 300 anos depois, por causa de um clamor do seu povo, Deus trouxe a sua Igreja de volta para a Sua Palavra revelando a sua santificação pela fé. Cerca de 100 anos depois o Senhor pelo seu Espírito trouxe a Igreja a revelação da Sua Palavra quanto à glorificação pela fé.

Tudo sempre esteve na Sua Palavra, mas por séculos ficou como que encoberto, até que o Senhor trouxe luz e fez com que o seu povo retornasse ao princípio da revelação. Que a justificação, santificação e glorificação estão tudo em Cristo. Agora não podemos remover os marcos antigos que foram estabelecidos por nossos pais, mas retornar a eles. O Espírito não pode seguir adiante com edificação da Igreja se ela perder esses marcos antigos (Prov. 22.28). Eles já foram estabelecidos, e para que possamos prosseguir em graça e em estatura temos que fazer com que estes marcos antigos estejam estabelecidos na vida de cada cristão.

Não pode haver crescimento espiritual sem primeiro haver justificação. Depois da justificação pela fé é necessária a santificação. Neste tempo ouvimos muito sobre edificação da Igreja, mas se esta edificação não estiver fundamentada na obra da Cruz, quando vier a tempestade irá ruir. É uma edificação sem fundamento. Jesus sempre desejou a sua amada esposa, a Igreja, mas primeiro Ele teve que se entregar por ela. Qualquer um que queira participar da Igreja do Senhor primeiro precisa ser justificado, e depois santificado e glorificado. Sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb. 12.14).

Mas esta porta também tem tranca e ferrolhos, e a tranca e os ferrolhos como a porta do peixe e as outras portas, não pode ser aberta pelo lado de fora, somente pelo lado de dentro. Por isso ela também nos ensina que o que é do velho homem, e que está fora, no mundo, não pode entrar para dentro dos muros, somente o que é do velho pode ser retirado para fora. E há muito do velho para ser despojado da Igreja: "Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano" Efésios 4.24.

Esta porta nos ensina também que o despojamento não é individual. Eu como um cristão individual não posso me despojar das coisas do velho homem em mim mesmo. Tanto o velho como o novo homem são coletivos. Este texto acima está em Efésios e este livro nos fala da Igreja. Por isso cada cristão necessita da comunhão dos santos, e juntos haver um despojamento. Não adianta um se despojar e o outro não. As coisas do velho estão para dentro dos muros e devem ser tirados para fora.

Tanto não é individual que a restauração é feita por várias pessoas mesmo que seja em apenas uma porta. E cada um restaurava ao lado do outro. Isto nos ensina que esta obra da restauração não é feita por um só, mas por vários irmãos, um ao lado do outro. No mesmo propósito, na mesma obra, e cada um com a sua medida de fé, cada um com a sua medida do dom de Cristo. Um ao lado do outro. Cada um em sua medida, mas com um único propósito.

A porta velha também nos ensina que as coisas velhas já passaram e tudo se fez novo. O que está dentro dos muros e das portas é do Novo Homem, e tudo o que é do velho homem deve ser despojado. Não é despojar o velho homem, porque dentro não há nada velho, tudo se fez novo. O que tem que ser despojado são as coisas do velho homem, as sua manias, as suas paixões, as suas concupiscências: "Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos" Colossenses 3.8-11.

Este despojamento é o processo de santificação pela fé. Como Paulo nos ensina em Efésios capítulo 5, nos versos 25 a 27, Jesus se entregou pela Igreja, a fim de purificá-la e santificá-la, e apresentá-la a si mesmo uma Igreja gloriosa. E como está escrito no texto de Colossenses 3.11, acima, a obra de glorificação é que Cristo seja tudo em todos. Para isto somos transformados de glória em glória na sua imagem, pelo Espírito do Senhor (II Cor. 3.18).

O velho homem tem a figura da estátua de Nabucodonozor que começou com ouro e terminou com ferro misturado com barro. Naquela estátua vemos a decadência do homem. Tudo o que é do velho homem terminou na cruz do calvário em Cristo. Ali, Ele como o segundo homem se tornou o último Adão. Quando Jesus foi colocado na cruz, ele crucificou o nosso velho homem, para que o corpo do pecado fosse destruído, e não servíssemos mais ao pecado como escravos (Rm. 6.6). Jesus por sua obra na cruz é a pedra que foi tirada sem o auxílio de mãos, o qual feriu os pés da estátua e os esmiuçou (Dn. 2.34-35).

A pedra esmiuçou toda a estátua e ela foi espalhada pelo vento, e não se achou mais lugar para ela. Mas a pedra se tornou um monte e encheu toda a terra. Aleluia! O homem que começou sendo formado pelo barro, se exaltou e se tornou a cabeça de ouro, mas depois viu a sua glória ir se desvanecendo para prata, bronze, ferro e o barro. Ele retornou ao barro, ao pó, ao seu lugar de origem. Mas Jesus foi exaltado a Príncipe e Salvador, Senhor e Cristo. Exaltado à destra de Deus, e recebeu um Nome que está acima de todo o nome, para que ao Nome de Jesus de dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fil. 2.9-11).

O velho homem foi destruído e espalhado aos quatro ventos. Não há mais lugar para ele dentro dos muros de Jerusalém, para dentro do Corpo de Cristo. Esta porta fala do velho que deve ser restaurado e preservado, mas também do velho que foi destruído e que deve ser despojado. O velho que deve ser restaurado é tudo o que é do novo desde o princípio, e o velho que deve ser retirado é tudo o que diz respeito à velha vida, ao velho Adão. 

Que o Senhor abra os olhos do nosso entendimento para compreendermos mais claramente o caminho que devemos seguir, porque a restauração não se faz com doutrina, mas com prática. Eles não falaram de um projeto de restauração, mas puseram a mão à obra. Não é saber da restauração e ficar sentado como os nobres que não se dispuseram à obra. Restauração é realidade, é vida do Senhor Jesus. Isto só é possível com uma mudança de mente, uma renovação do nosso entendimento (Rm. 12.2, Ef. 4.23). Despojar do velho e revestir do novo.



Créditos de Co-edição:  
Daniele Marques  e Edward Burke Junior

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