16 fevereiro 2017

O PERIGO DE JULGAR PELA APARẼNCIA



Uma das piores atitudes humanas, não que as demais sejam toleradas quanto em nível de pior, é o fato de medir com os olhos e em cima disto fazer julgamento. Julgar pela aparência é algo perigoso, nunca sabemos o que está por trás da visão à nossa frente. É um tanto paradoxal esta frase, mas ela é o exemplo da lei do que vai, volta, quer dizer, do jeito que mandamos, vamos receber. 

Jesus foi enfático em Mateus 7. 1 e 2 “ Não julgueis, para que não sejais julgados, porque com o juízo com julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” . Este texto é muito rico porque fala da realidade da tendência humana, julgar pela aparência, pelo que é visível, mas nós não sabemos o que há ali dentro daquela vida.  Penso que é muito importante pensar que não devemos procurar falhas em ninguém, senão acabaremos expondo as nossas próprias tendências e inclinações ao erro, e porque não dizer, os mesmos erros que procurávamos no outro.

Paulo escrevendo aos Gálatas, no capítulo 6 vss.7-8, ele esbanja sabedoria inspirada ao discorrer sobre o resultado de uma semeadura na carne e no Espírito, então o julgamento é uma semeadura na carne, portanto, é também na própria carne que se colherá os espinhosos frutos do julgamento.  Na natureza, tudo se reproduz de acordo com sua espécie, uma lavoura sucede á outra após o plantio, e isto nos diz que, o homem colherá o que ele planta e será responsável pelo seu destino.

Gosto do jeito que Paulo discipulava, sempre debaixo de uma humildade, ele tinha muita autoridade, mas não esnobava, não mostrava superioridade, arrogância ou pedantismo. Se alguém podia gabar do seu conhecimento era Paulo, mas em Gálatas 2, somente quatorze anos depois que esteve pela primeira vez em Jerusalém, ele compara o que pregava com o evangelho dos outros apóstolos, isto é, que tinha a mesma origem, tanto que recebeu a benção deles segundo os vss. 7 e 8.  

Paulo pregava um evangelho perfeito e completo tanto para cristãos como para gentios, e isto porque ele não trabalhava em cima de julgamentos. Tanto que até na hora de expor uma palavra mais forte, vindicando o seu apostolado, ele declara no vs. 6”e os grandes líderes da igreja que estavam presentes lá nada tiveram a acrescentar àquilo que eu anunciava. Aliás, o fato de serem eles grandes líderes não fez diferença nenhuma para mim, pois todos somos iguais diante de Deus” (Nova Bíblia Viva).

Se aparência contasse Saul seria o escolhido de Deus para reinar em Israel. Veja o que a Bíblia diz sobre o aspecto físico de Saul em I Sm 9:2 “ Tinha este(Quiss) um filho, chamado Saul, jovem e tão belo que entre os filhos de Israel não havia outro homem mais belo do que ele; desde os ombros para cima sobressaía em altura a todo o povo", no entanto quando da escolha de Deus para levantar um rei para Israel, esta recaiu sobre Davi, o que ficava atrás da malhada, o marmiteiro dos irmãos na guerra. E porque isto?

Por causa do foco que Deus impôs para o seu critério de escolha. Quando Samuel é enviado a Jessé, Deus declara que dos filhos de Jessé Ele levantaria um rei, o desfile dos filhos de Jessé se deu sem sequer haver uma aprovação. Quando Samuel viu a Eliabe ele estava convicto que estava perante aquele a quem o Senhor determinaria a unção, mas, Deus disse a Samuel “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”. I Sm 16:7.

A visão de Deus não é uma visão de preferência, mas de escolha e o critério da sua escolha é olhar para o interior do homem, se o interior se afina com o seu critério, eis aí o escolhido.

Infelizmente isto não ocorre com o homem, este gosta de se avizinhar da aparência, dos dotes, das posições, etc. Imagine, por exemplo, se Roberto Carlos se convertesse em minha igreja, ao que eu seria tentado? A colocá-lo como líder do ministério de louvor, já pensou que show, eu dizendo irmão Roberto, venha nos ministrar agora, sei que o louvor vai ser uma brasa, mora! Mas, tenho na igreja esperando há muito tempo  esta  oportunidad, aquela irmãzinha simples, que mudou de vida,muito tempo antes, mas ela vem de “fusca possante”, isto na ótica humana já é uma limitação.

Lembro me de um médico que freqüentava a Missão Paz e Vida de Mogi Guaçu, logo em 1987, ele reclamava dos bancos de madeira, não tinha encosto e um dia ele me encostou na parede e me disse muito educadamente: ”Pastor,  o senhor vai trocar os bancos logo, dói muito minhas costas”, eu disse, por ora não, “então já faz quase um ano que estou aqui, no banco, sou médico e  gostaria de servir como presbítero, assim fico um pouco em pé”. Olhei bem a ele e disse:”aguarde, quando o Senhor me falar, te chamarei”. Naquele mês ele foi embora, mudou de endereço, e como médico chegando aquela outra igreja, já foi logo ungido presbítero. Porque? O homem vê por fora, o exterior já credenciava aquele doutor ao presbitério, mas eu tinha que ouvir o que Deus tinha para me falar acerca do seu ministério”.

Quando alguém detecta em nós algo que não aparenta bem, precisamos ter uma justificativa plausível, bem fundamentada para dar. Não podemos ir falando o que vem pela cabeça. A verdade é que sempre somos julgados por aquilo que as pessoas vêem em nós, mas precisamos rebuscar palavras para a justificativa. Veja esta história: Um dia, uma menina estava sentada observando sua mãe lavar os pratos na cozinha. De repente, percebeu que sua mãe tinha vários cabelos brancos que sobressaíam entre a sua cabeleira escura. Olhou para sua mãe e lhe perguntou: - 'Porque você tem tantos cabelos brancos, mamãe?' A mãe respondeu: - 'Bom, cada vez que você faz algo de ruim e me faz chorar ou me faz triste, um de meus cabelos fica branco.' A menina digeriu esta revelação por alguns instantes e logo disse: - 'Mãe, porque TODOS os cabelos de minha avó estão brancos?

Julgar pela aparência é fazer acepção de pessoas, e fazer acepção de pessoas é contrariar princípios divinos, para ser mais claro, é pecado. Existem regras áureas de Deus que são válidas tanto na velha como na nova aliança. E isto a começar pelo próprio Deus. Vejamos Dt. 10:17 “  Pois o Senhor, o seu Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas e não aceita suborno” Nova Bíblia Viva .(Sou apaixonado pela versão original da parte a do versículo que diz: “Jeová vosso Elohim é Elohim dos Elohim, Adonai dos Adonim, o Grande El, um  Gibor e Yare”). 

Quando Moisés repassou as instruções dos deveres dos juízes estabelecidos entre as tribos para julgar o povo com retidão, ele foi taxativo baseado nos preceitos de Êxodo 23:6-9 e sintetizou assim no versículo 19 de Dt 16: “Não pervertam a justiça, nem sejais imparciais, fazendo acepção de pessoas. Não aceitem suborno, porque o suborno cega até os sábios.”

Deus insiste muito contra o julgamento precipitado, justamente porque o ser humano tem a tendência de trabalhar com acepção de pessoas. Mas o que é acepção de pessoas afinal? É preferência de pessoa ou pessoas por sua classe, privilégios, qualidade ou títulos. E quando assim se procede, acaba se excluindo outras pessoas que diante de Deus são iguais.

As vezes o homem no intento pessoal de lucrar com gracejos, ou gracejar para lucrar não imagina a dimensão da colheita negativa no futuro a partir da “sua boa intenção”, por exemplo, em colocar numa música frases que denotam acepção.  Um caso bem típico é o de Tiririca, hoje deputado federal, e que gravou uma música que acabou resultando numa condenação indenizatória à Sony Music, gravadora do cantor. Confira parte do texto noticiário do Extra de ontem, 30.03: ” Sony Music foi condenada a pagar R$ 1,2 milhão de indenização por conta de uma música do atual deputado federal Tiririca, gravada num CD de 1996, e considerada racista - disse, nesta quarta-feira, que o caso foi um dos primeiros de "bullying" no Brasil. O processo, iniciado em 1997, tinha como alvo a canção "Veja os Cabelos Dela", composta pelo próprio Tiririca”  (SAIBA MAIS:)

Então, o cristão tem razões de sobra para não praticar acepção de pessoas, por exemplo, na Nova Aliança mesmo debaixo da graça, a lei prevalece como elemento de argüição. Assim diz Tiago 2:9 ”se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores.” Quem faz acepção de pessoas, quebra a lei régia da Escritura “amarás o teu próximo como a ti mesmo”(Tiago 2.8). 

E finalmente, Pedro fecha a nossa postagem com um dos mais ricos textos que mostra a nobreza de Deus na prática amorosa, que não faz acepção e que recomenda nos como seus filhos a termos uma postura condígna ao benefício da graça. “ Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação” I Pedro 1:17.

Por isto, ao deparar-se com alguém não atente para o que vê os seus olhos, porque Deus não vê como o homem vê, Deus vê o interior, e de repente o vaso quebrado que lhe aparenta segunda a ótica humana, pode ser ou vir a ser um vaso de benção e um vaso de honra. Não julgue pela aparência, tome atitudes que Deus tomaria em seu lugar.

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