14 fevereiro 2017

QUASE CRENTE OU ÍNTEGRO NA FÉ?







É muito comum onde tem crianças comendo ouvir uma frase interessante, olha só essa criança comeu “quase tudo”. Fico sempre pensando, será que um pequenino que não tem dois anos ainda sabe o que é “quase”, ou então, e os grandalhões será que sabem? Resolvi consultar um dicionário etimológico, veja o que encontrei em um item definidor :”quase, advérbio, do latim quasi, “por um pouco que não, ou por um triz que não”.

Popularmente é um advérbio muito expressivo nas mais variadas situações, mas no comum, também ouço os vidrados assistentes de uma partida de futebol num lance mais ajustado defronte à meta do gol deixarem escapar um sonoro “quase!!!!”. Quer dizer então que a coisa “quase” aconteceu, por pouco não foi, por um triz que não. Pensando sobre esta definição, meus pensamentos voaram através das páginas do Novo Testamento, pairando numa frase dita pelo  Rei Agripa, diante da defesa de Paulo naquela corte “ Por pouco não me convences a me tornar cristão”. (Atos 26:28).

A expressão de Agripa foi quase “um quase”, quase, por pouco, ele não se agregara aos seguidores de Cristo. E porque deixou sair dos seus lábios frase tão marcante? Teria sido a retórica do prolixo sermão de Paulo? Será que a verbosidade e loquacidade de Paulo o seduziram à tal? Não, em hipótese alguma, mas a revelação de um crente convicto da fé em seu Deus e suas narrativas em linha à uma vida integra, inteira, total no serviço e temor ao Senhor. Paulo não era “quase”, ele era total. Inteiro de Deus e por isso suas palavras eram persuasivas, não pela capacidade de oratória, mas pela exposição da sua vida depositada aos pés de Deus.

“Quase”! Como é difícil viver hoje em meio á tanta gente que é “quase cristão”, quase crente, quase batizado, quase, quase, quase. A ausência do quase na vida de Paulo está explicita na sua defesa diante do Rei Agripa. Ele disserta com clareza acerca da “perseguição aos cristãos”,  da “sua conversão”, da “sua pregação”, do “motivo da sua prisão”, da “resposta da acusação de loucura feita por Festo”(At 26:25,26) e finalmente no seu apelo ao Rei “Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês”(At 26.27). O Rei estava acuado diante do testemunho de fé e ousadia de Paulo. Este homem de Deus não tinha meios termos, sua fidelidade à Deus era contagiante. Ele era íntegro e não “quase”.

Como estamos precisando retomar caminhos para a restauração desta fé da cultura Paulina. Sim, não estranhe este termo, os quatro evangelhos escritos por evangelistas que mostraram o Mestre cada um por um prisma ótico, formam um compêndio maravilhoso acerca de Jesus Cristo, mas as cartas Paulinas, são capazes de nos fazer ver claramente, “quem somos, o que temos e o que podemos”.  Tenho “ouvido” diariamente as cartas de Paulo, para que seja ministrado no espírito e me torne cada dia mais convicto da fé que professo e seja idôneo diante de Deus e dos homens, e só pode ser assim alguém que não seja “quase”.

Não posso aceitar alguém que mistura santo com profano, que toca no altar e se requebra na avenida, que diz professar a fé, mas também faz uma “fezinha” nos jogos mais variados de sorte e azar. Não posso crer num relacionamento de uma rede social onde se diz ser evangélico protestante, mas configura o seu signo astral, não entra na minha cabeça ter a Bíblia como livro de fé, mas não o tem como de prática da vida cristã. Isto para mim tem nome:”é quase crente”, por um triz, por pouco “seria crente”. Ou então é o crente pizza meio a meio: meio calabresa, meio muzzarella.

Crer com a performance de Paulo exige convicção e integridade. Nosso discurso, fala, procedimento e testemunho, e se baseado na prática do conhecimento bíblico nos porá diante de autoridades e eles testificarão de nós. Quando defronte de qualquer autoridade, todas elas, o juiz, o delegado, o pastor, o médico, o professor, os pais, que são autoridades levantadas por Deus sobre nossa vida, será que poderíamos a dar a resposta de Paulo como fez ao Rei Agripa? “...quisera Deus que, por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos os que hoje me ouvem se tornassem iguais a mim...”.(At 26:29)  O nosso falar, o  nosso linguajar, o nosso testemunho revelará o que somos:”totalmente crente, OU QUASE CRENTE”.

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